
O brasão é a expressão visual da identidade do Pombalinho. A composição atual, aprovada em 1996, reúne o nome da terra, o orago de Santa Cruz, a memória arqueológica e a tradição agrícola da freguesia. A sua história, porém, começou várias décadas antes.
O primeiro processo heráldico conhecido teve origem em 1924, quando a Câmara Municipal de Santarém pediu esclarecimentos sobre as armas e as cores de várias povoações do concelho, entre elas o Pombalinho. O parecer foi elaborado por Affonso de Dornellas e aprovado pela Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses em 28 de dezembro de 1927. O desenho original foi executado por António Lima.
As armas de 1927 apresentavam um campo negro, um ramo de três espigas de trigo de prata atado de vermelho e, na parte superior, dois pombos de prata, em voo e voltados um para o outro. Sobre o escudo surgia uma coroa mural de prata com três torres.
Era uma composição sóbria e muito ligada à vida local. O campo negro representava a terra; as espigas recordavam a importância da agricultura; e os pombos eram símbolos “falantes”, porque traduziam visualmente o nome Pombalinho. A bandeira era branca, com uma fita vermelha sob o brasão e a designação da freguesia em letras negras.
Quase setenta anos depois, a freguesia adotou uma composição mais completa. O parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses data de 24 de janeiro de 1996 e foi aprovado pela Assembleia de Freguesia em 28 de abril do mesmo ano. A ordenação foi publicada no Diário da República n.º 145, III Série, de 25 de junho de 1996, e registada na Direção-Geral das Autarquias Locais, sob o n.º 041/1996, em 7 de agosto. A conceção dos símbolos atuais coube à Tecnofiscal.
O brasão atual tem escudo verde, uma aspa enxaquetada de vermelho e ouro, duas pombas de prata, um cacho de uvas de prata com folhas de ouro e uma roca de linho de prata. É rematado por uma coroa mural de prata com três torres e por um listel branco com a legenda “POMBALINHO – SANTARÉM”. A bandeira é amarela, com cordões e borlas de ouro e vermelho.
A aspa enxaquetada de vermelho e ouro ocupa o centro do escudo. Associa o orago de Santa Cruz às armas do Barão de Pombalinho e evoca a calçada romana de paralelepípedos de várias cores descoberta na localidade.
As duas pombas de prata remetem diretamente para o topónimo Pombalinho. São o principal elemento de continuidade entre o brasão de 1927 e o atual.
O cacho de uvas representa a vinha, uma cultura tradicional da freguesia.
A roca de linho recorda o cultivo e o trabalho do linho, atividade ligada à antiga economia rural local.
O escudo verde simboliza a agricultura e a paisagem fértil do Pombalinho.
A coroa mural de três torres identifica, de acordo com a heráldica autárquica portuguesa, uma povoação sem categoria de vila ou cidade.
O primeiro brasão concentrava-se no nome da povoação e no trabalho da terra: pombos, trigo e campo negro. A versão de 1996 preservou as pombas e a coroa mural, mas acrescentou novas camadas de memória — a presença romana, o orago de Santa Cruz, a herança senhorial e culturas agrícolas concretas, como a vinha e o linho. O campo negro deu lugar ao verde e a bandeira branca foi substituída pela amarela.
Esta evolução não apagou a primeira identidade heráldica; tornou-a mais abrangente. O brasão atual funciona, por isso, como uma síntese visual da história, da paisagem e das atividades que ajudaram a formar o Pombalinho.
Nota histórica. O listel conserva a legenda “POMBALINHO – SANTARÉM” porque o brasão foi aprovado em 1996, quando a freguesia ainda pertencia ao concelho de Santarém. A integração no concelho da Golegã ocorreu em 2013.
Fontes consultadas: documentação histórica da freguesia; pareceres heráldicos de 1927 e 1996; Diário da República; O Pombalinho — A Heráldica do Pombalinho; Heráldica Cívica Portuguesa — Pombalinho.
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